Jornada

Não é com você, é comigo

Você já deve ter escutado essa frase, provavelmente em um término de relacionamento: "Não é você, sou eu...". Eu achava que fosse uma mera desculpa (e para algumas pessoas talvez seja), mas hoje entendo a verdade que essa expressão pode carregar. Quando assumimos a responsabilidade da autonomia das nossas ações e escolhas, nada mais se torna culpa do outro. Nada que a outra pessoa disser ou fizer, poderá ser usado como justificativa para nossos atos ou escolhas. E isso é altamente assustador para a maioria de nós. Quando comecei esse blog e a proposta de investigar a liberdade, logo uma amiga me apontou na direção de Jean Paul Sartre. Sartre afirma que o homem aliena-se (ou seja, abre mão) da própria liberdade por não suportar o peso das próprias escolhas. Quantas vezes fazemos isso diariamente? Estamos chateados porque alguém fez algo conosco, ou algo aconteceu com a gente. Ou seja: atribuímos a algo externo o poder de mudar algo em nós. Na maior parte das vezes não percebemos que a nossa reação a um fato que acontece conosco nada tem a ver com o fato em si, e que temos escolha sobre nossa ação ou re-ação. E que todo o poder sobre nossa mudança, ou não-mudança está em nós mesmos. (mais…)

Por Ana Paula Coelho, atrás
Jornada

A volta de uma viagem transformadora

Fazer uma viagem transformadora é algo maravilhoso. Muita gente exalta as vantagens de se passar um tempo fora do país, de sua própria cultura – não como turismo, mas morando em outro lugar, vivenciando outras culturas. Já há algum tempo vemos um movimento de pessoas que procuram fazer viagens longas – seis meses, um ano ou mais, morando fora para conhecer, estudar ou trabalhar em outra realidade. As histórias que vemos mostram como essas experiências fora do contexto social e cultural que fomos criados provocam mudanças em quem experimenta: de aparência, corte de cabelo, peso, roupas, a outras mais profundas, mas difíceis de captar com um primeiro olhar ou primeira conversa. Falamos dessas viagens e como elas podem transformar a vida de alguém, mas esquecemos de falar da volta de uma viagem transformadora, que pode ser tão ou mais difícil que os desafios enfrentados na viagem, e trazer tantos aprendizados quanto. Eu morei quase dez meses na Tailândia. A princípio seria uma viagem de três meses, mas quando estava próximo do fim, resolvi ficar. Sabia o quão valiosas estavam sendo para mim para mim os aprendizados que eu estava vivenciando. Mudei de dieta – quase exclusivamente vegetariana agora, uma mudança enorme para uma carnívora convicta. Mudei de crenças, abarcando uma espiritualidade não-religiosa. Mudei de hábitos diários, incluindo yoga e meditação quase diariamente. Mudei de peso e aparência, reflexo de estar me amando e me cuidando melhor. Mas o mais importante: adquiri um novo kit de ferramentas para me relacionar comigo e com os outros. (mais…)

Por Ana Paula Coelho, atrás