Deve existir alguma palavra em alemão ou finlandês que resuma exatamente o sentimento que tenho de “necessidade de realizar uma viagem para colocar coisas em perspectiva e me ajudar a organizar melhor minha vida”. Pois esse sentimento me é extremamente comum. O espírito de inquietude me faz mergulhar em uma rotina estressante por vezes, e fazendo uma viagem – por mais curta que seja – consigo olhar de longe o que  ando fazendo que precisa ser modificado.

Viajar nos desloca no tempo e espaço: saímos do ponto A para o B e a nossa noção de tempo fica modificada a partir dessa experiência. Independente do meio de transporte, haverá necessariamente um tempo de silêncio que leva à reflexão. Se formos dirigindo, estamos em um nível de concentração que nos aproxima da meditação leve. Se formos como passageiros, a observação da paisagem nos dá noção de perspectiva e silenciamento. Ao escolhermos avião, haverá tempos de espera e silêncio quase forçados, no processo de check-in e embarque, além da viagem com momentos sem os inseparáveis aparelhos eletrônicos.

Ao chegar-se ao destino, nossa rotina não será a mesma de um dia normal em casa: tempos de dormir e acordar, tarefas ou compromissos, pessoas com quem teremos contato, lugares pelos quais passaremos. Todos esses estímulos diferentes daqueles da nossa rotina diária têm certamente impacto sobre a maneira com que pensamos sobre nós e o mundo.

Estive em São Paulo no final de novembro para fazer um curso, Translators of Disruption da Flag, cheguei numa sexta e fui embora numa segunda, fui de avião. Tenho uma tia que mora em Itaquera, mas era muito longe de onde iria fazer o curso, então não estava planejando me hospedar nela até no domingo à noite, quando terminaria o compromisso. O último trimestre de 2014 foi extremamente atípico pra mim, o que fez com que eu fizesse algo que nunca tinha feito antes: viajar sem planejar onde eu ia me hospedar com antecedência.

Apesar de um tanto ansiosa por isso, relaxei e acreditei que tudo iria conspirar a meu favor, e foi exatamente o que aconteceu. Além de um fim de semana delicioso, onde experimentei diversas coisas novas, desde conhecer pessoalmente alguém da internê, os lugares que vi, as conversas que tive, as pessoas que reencontrei, outras pessoas que conheci. Toda a viagem foi, mais do que tradicionalmente costuma ser pra mim, uma experiência transformadora.

dia_bom

Mapa fofo que o Thiago Gimenes fez do dia que me acompanhou me apresentando uma linda Sampa.

 

Nesse curso que fiz eles tem uma teoria que existe um lugar etéreo, algo como o inconsciente coletivo, para o qual a gente faz o upload de uma ideia sempre que tem uma, e que por isso precisamos tratar de executá-la tão mais rápido quanto pudermos, porque corremos o risco de alguém fazer o download dela e executá-la antes da gente. Pode bem ter acontecido isso com o Ainda Que Tardia. A Lenise essa semana me mandou o link do Projeto ViraVolta, que é, basicamente, o Ainda que Tardia em sua concepção original (hoje já temos outros planos, maiores até do que esse). Esse projeto tem um ótimo documentário em que pessoas contam como largar tudo e sair para viajar as transformou como pessoas, mudou sua visão de mundo, a maneira como elas se relacionam com as outras pessoas, enfim. Uma viagem muda tudo.

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