Antes de vir pra Tailândia quem já conhecia aqui me avisou de duas coisas sobre a comida:

  1. É deliciosa
  2. É apimentada

Como não tenho o menor problema com comida deliciosa me concentrei em me preparar para a pimenta, já que não sou sua maior entusiasta. Caprichei mandando molho de tabasco em quase tudo que comia, comi bastante comida peruana e mexicana antes de vir. E achei que estava a pessoa mais bem preparada pra isso, afinal, amo comer e experimentar novos sabores.

A primeira coisa que você precisa saber sobre comida em outros lugares: esqueça tudo que você sabe. Não existem pré-conhecimentos quando se trata de comida. “Hum, vou pedir esse macarrão a bolonhesa aqui e ele vai ter gosto de molho de tomate!”.


Ainda mais num país que tem a língua completamente diferente da sua, num alfabeto completamente diferente do seu. Pra escolher as coisas você não tem como pedir, você aponta pra algo e espera com sorte que aquilo tenha um gosto agradável ou conhecido.

Se você acha que está preparado pra comida tailandesa porque ama o restaurante Tantra em SP: você está miseravelmente enganado. Comida tailandesa em restaurante ocidental não é comida tailandesa.

A terceira coisa que as pessoas deveriam realmente ter me contado sobre a Tailândia é: TUDO É DOCE. Tudo. Absolutamente tudo. Nada escapa. A pimenta é doce. A comida que você acha que será salgada é doce. O pão é doce. O churrasquinho do tio da esquina: doce. Até o sal é doce (mentira, esse é exagero meu. Mas eles mandam dois saleiros e um dos temperinhos do outro saleiro é doce). Não é como se eles não colocassem sal e a gente acha sem sal e diz que é doce. ELES COLOCAM AÇÚCAR EM VEZ DE SAL, ou muito mais açúcar do que sal em tudo.

garlic_sweet_thailand

Cristais de sal no pão de alho, certo? Rá, pegadinha do malandro. É açúcar, QUEM EM NOME DE JESUS COLOCA AÇÚCAR NO PÃO DE ALHO?

Eu nunca fui a mais apaixonada por doces. De vez em quando como e tal, mas não me faz falta, passo dias, semanas sem colocar coisas doces na boca. Meu café é sem açúcar, assim como meu suco e meu chá. Mas do sal eu sinto falta, só sinto que me alimentei quando como coisas salgadas. Como diz uma amiga, tá puxado aqui na Tailândia.

Eu tenho inclusive feito a vergonha de comer em lugares ocidentais, tipo McDonald’s (eu sei, vergonhoso). E nunca achei que fosse agradecer à padronização, sou super a favor da diversidade, mas é um alívio absurdo comprar algo por simplesmente ter a garantia de que aquilo vai ter um gosto salgado.

Outra dificuldade pra quem tiver pensando em vir pra cá: saladas. Espere duas rodelas de pepino ou um montinho de repolho no canto do seu prato de arroz e carne DOCES. Eles não tem hábito de salada aqui e mesmo em grandes shoppings é difícil achar.

IMG_8647Você só pode se salvar aqui nas frutas, que é basicamente o que eu tenho comido desde que cheguei. Essas você acha em qualquer lugar, uma barraquinha de rua atrás da outra em Bangcoc, já cortadinhas e embaladas, e custam muito barato (tipo, R$1,50 por cerca de 200g de fruta geladinha e cortadinha).

E muitas das frutas que tem aqui são as mesmas do Brasil, embora algumas tenham um gosto levemente diferente (odiei o gosto da água de coco aqui, e é minha bebida preferida na face da terra). Já achei manga, mamão, melão, melancia, limão, abacaxi e até jaca! E eles tem outras frutas locais deliciosas, como mangostim (entrou pro meu top 5 de frutas: jabuticaba, mangostim, amora, blueberry e gabiroba).

mangostim

Mangostim ou Mangostão (que nome feio em português, só perde para Banguecoque)

Então fica a dica: se você assim como eu não é fã de doces, ande com sal no bolso se vier pra Tailândia. E não confie no que você acha que sabe!

image

UPDATE: Agora estou em Ko Phangan, uma ilha no golfo de Tailândia, e nela estou sendo bem mais feliz com comida. Ainda é doce, mas pelo menos aqui, como é mais turístico, eles entendem melhor inglês e é mais fácil pedir para não colocarem açúcar. Também é uma ilha, então tem frutos do mar em profusão, o que me deixa muito mais feliz. 🙂

Categorias: Viagens

6 Comentários

Thiago Valinho · 21 de setembro de 2015 às 10:14

Já comi mangostim aqui. É o mesmo gosto?

    Ana Paula Coelho · 21 de setembro de 2015 às 23:18

    Não sei dizer, Thiago! A primeira vez que comi foi aqui, não tenho a referência do Brasil. 🙂

Eliane · 10 de fevereiro de 2016 às 20:54

Oi, Ana!
Poderia dizer quais são as possibilidades (visto) de ficar na Tailândia por mais de 90 dias?
Pretendo ir em setembro/16, mas gostaria de ficar 1 ano.

    Ana Paula Coelho · 11 de fevereiro de 2016 às 00:39

    Oi Eliane! Confesso que não sei dizer. Eu estou aqui no de três meses, que não precisa de visto, só do carimbo na entrada. Acho que as possibilidades de visto de mais tempo são de estudante e trabalho. Eu liguei na embaixada da tailândia em Brasília pra ter certeza que não precisava de visto para 90 dias (que era meu plano inicial) e eles foram super gentis comigo. Liga lá, provavelmente eles podem te dar informações mais concretas. Eu achei o telefone no Google, mas não anotei, dá uma busca aí que vc acha fácil. 😉

      Eliane · 12 de fevereiro de 2016 às 13:10

      Oi, Ana! Obrigada pela resposta.
      Depois desses 90 dias, é possível “renovar” o visto? Se quisermos ficar mais tempo o que precisa?

      Liguei na embaixada e a senhora só repetida: minha filha, você não precisa de visto para Tailândia…hahaha

        Ana Paula Coelho · 13 de fevereiro de 2016 às 07:15

        Hahaha, porque é isso mesmo, não precisa de visto. Você precisa ter o cartão de vacinação internacional contra febre amarela, e ao chegar em qualquer aeroporto internacional na Tailândia você passa por um balcão chamado Health Control, preenche uns formulários, ganha um carimbo e vai pra imigração. Na imigração eles pegam esse formulário do health control e seu passaporte e vc ganha um carimbo que permite sua estadia na Tailândia por 90 dias. Depois disso, muita gente que quer ficar mais sai do país, dá uma volta em qualquer lugar aqui perto (Malásia, Laos, Camboja) e volta, e ganha mais 90 dias, repetindo o mesmo processo. Simples assim. Se tem uma coisa que o Brasil faz bem é relações internacionais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *