Nem tudo são flores quando se decide viajar. Pra quem não tem muito dinheiro é necessário um bocado de informação para economizar. Eu estou nessa situação, e minha viagem pro Sudeste Asiático ficou um pouco mais difícil agora. Tudo por causa de poucas informações a respeito de como tirar um visto de trânsito para os Estados Unidos.

O trajeto que eu imaginava até então. Provavelmente vai ser reduzido.

O trajeto que eu imaginava até então. Provavelmente vai ser reduzido.

 

Eu já estava de olho em passagens aéreas quando vi uma promoção do Melhores Destinos de passagens baratas para vários lugares do mundo. Tinha uma tarifa excelente pra três meses de viagem, entre setembro e dezembro, na Delta Airlines, que foi a que comprei. Cerca de metade do preço que normalmente custa uma passagem pro Sudeste Asiático. O contra: faz escala em Nova Iorque e em Tóquio, e tanto os USA quanto o Japão precisam de visto para conexões no país.

De acordo com o site oficial do consulado americano, eu não precisaria de um despachante e precisaria de um visto para não imigrantes do tipo C1 – trânsito. Bastava preencher o formulário DS-160, agendar a entrevista no site e comparecer com a documentação solicitada. Assim fiz, sem usar um despachante pois não enxerguei essa necessidade. Meu engano começou aí.

Como eu nunca tinha feito uma solicitação de visto na vida, não tinha uma série de informações. Como por exemplo, que a maior parte das pessoas que precisa de um visto de trânsito para os EUA pede um visto de turista. Porque segundo essas pessoas, a taxa e a documentação é a mesma. Eu não sei dizer se é verdade e a fonte oficial, o site do consulado, afirma que você não deve em hipótese nenhuma pedir um visto que não seja do tipo que você precisa. E eu não tendo forma de comprovar que ficaria nos EUA, já que não vou ficar (somente vou fazer a conexão de cerca de 5 horas, nem dá pra sair do JFK), achei por bem pedir o de trânsito. Na internet também achei que eles costumam dar o visto de acordo com o tempo de viagem, não há qualquer informação de qual é a duração de um visto de trânsito para os EUA.

Assim fiz, minha entrevista foi no dia 09/06. Consegui o visto de trânsito, mas ele expira no dia 09/12 (coincidência ou não, 6 meses depois) e minha passagem de volta é no dia 10/12. Assim que peguei o passaporte no CASV vi o problema e perguntei, ao que me orientaram a mandar um e-mail. A resposta foi negativa, mesmo eu tendo anexado as passagens (que aliás, foram apresentadas ao cônsul quando solicitei o visto, portanto eles sabiam minha data de volta antes de me concederem o visto).

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Para cada solicitação de visto é uma taxa de quase R$500, com o dólar atual, mais viagem para SP para fazer a entrevista, e ainda corro o risco de ter o segundo pedido negado. Ainda tentei perguntar a pessoas especialistas em vistos e todos me disseram que eu realmente teria que solicitar outro. Diante desse cenário, não me restou outra opção a não ser remarcar a data de volta. Como minha passagem era do tipo promocional (non-refundable), a taxa de remarcação no meu caso foi R$935, com o dólar atual. E isso porque dei sorte da moça achar outra passagem com a mesma tarifa, já que já tem cerca de um mês que comprei.

Então fica a dica: cheque se sua passagem faz escala nos EUA, e se fizer, contrate um despachante para cuidar do processo de visto. Não é garantia que você vai obter, mas eles podem ter mais informações do que você, e isso faz diferença.

Sobre o visto para o Japão

A embaixada japonesa pede bem mais documentos, mas o processo é bem simples. Não precisa de agendamento prévio, somente comparecer nos dias e horários estabelecidos (aqui em SP, de segunda a quarta de 9 ao meio dia, mas cheque esse horário antes por telefone ou no site do consulado japonês). Eles são muito mais acessíveis, a pessoa que me atendeu revisou toda minha documentação, mesmo eu não estando ainda nas datas corretas de pedir o visto, somente para me ajudar. Ao contrário do americano, o japão informa que o visto de trânsito dura três meses, quatro se for de duas entradas (ida e volta). Então, eu preciso esperar agosto para solicitar o visto, de forma que ele não expire antes da minha volta. Simples, né? Bastava os EUA serem menos obscuros nas informações  para que esse tipo de prejuízo como o que eu tive fosse evitado.

Outro detalhe a respeito do visto japonês de trânsito: dependendo o seu voo pode não passar por imigração, fazendo a troca de aeronaves dentro do aeroporto por terminais em que isso não seja necessário. Nesses casos, e se sua conexão dura menos que 8 horas, você não precisa de um visto de trânsito para o Japão. Mas você precisa que a companhia aérea te assegure disso, e, no meu caso, como o voo ainda está longe, a Delta Airlines não conseguiu me dar essa certeza. Assim, vou solicitar o visto. E uma última coisa: a embaixada japonesa divide as pessoas por cidade de residência, então o visto pra quem mora em BH deve ser solicitado no RJ, ou então em um escritório terceirizado em SP, que cobra uma taxa extra.

UPDATE 20-08-15: Consegui o visto japonês através do Centro indicado pelo consulado. Eles cobram uma taxa administrativa além da taxa do visto (ou seja, taxa do visto R$16 + cerca de R$150 + custos de correio), mas resolvem tudo à distância, nem precisei ir em SP ou Rio. Entrei em contato por telefone, me passaram as instruções para o meu tipo de visto por e-mail, enviei a documentação + passaporte pelo correio e recebi de volta hoje com o visto, tudo certinho. Para quem não reside em cidades com consulado ou pra quem não tem tempo é uma super mão na roda. Achei excelente o serviço, então fica a dica: CVJ-Centro de Visto Japonês, Rua Augusta, 1642 3o. andar Conj. 3A – Consolação, São Paulo – SP – CEP: 01304-001  Tel: 11-3171-3104.

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