Uma das perguntas que as pessoas tem mais me feito ultimamente e que tem sido difícil de responder: afinal de contas, você trabalha com o que? Como consegue trabalho enquanto está fora do Brasil? Como viajar e trabalhar ao mesmo tempo? Esse talvez seja o maior desafio de quem quer se tornar nômade digital, como descobrir uma fonte de renda constante e suficiente para as despesas.

Minha resposta não é simples, e lá no final do meu MBA, quando eu já tinha feito da viagem do Ainda Que Tardia meu projeto de conclusão de curso, a pergunta era exatamente essa, e a parte do Business Model Canvas que eu mais penei pra tentar descobrir uma resposta que me fosse satisfatória. E a resposta é: não parece ter uma resposta só. São várias.

Hoje faço 6 coisas diferentes: tenho três trabalhos online pagos por hora, dois da escola de yoga que estudo e um do Brasil; além disso, no momento estou com dois trabalhos freelancers de promoção de um retiro de Tantra e coordenação de um workshop sobre prosperidade (já conto novidades sobre esse logo). Além disso faço faxinas (sim, Brasil, vai achando que só porque você é graduado – ou pós graduada, no meu caso – que você não vai aceitar algum tipo de trabalho) e tentei web writing para marketing de conteúdo (que funcionou por um tempo). Ah, e tenho meu blog ( que ainda não dá dinheiro nenhum) e meu medium recém inaugurado, pra falar unicamente sobre yoga e tantra.

E pra dar conta de tudo isso haja aprendizado sobre gerenciamento de tempo. Cada uma dessas coisas me leva entre uma a quatro horas por dia, mas nem todas eu faço todos os dias. E eu tive que aprender a estabelecer um critério para saber se aceito ou não um trabalho, e pra mim ele é bem simples: precisa me pagar um valor mínimo por hora e eu achar que dou conta do trabalho. A faxina, por exemplo, me paga mais por hora do que o trabalho administrativo na Agama, então vale a pena fazer a faxina (e sou boa nos dois igualmente). Hoje um dos freelas é o que me paga mais por hora (mas ele é temporário, por enquanto é só um projeto) e o outro freela vai me pagar uma porcentagem sobre as inscrições (ou seja, há um risco incluído aí).

As minhas dicas pra conseguir trabalhar enquanto viaja:

  • Aqui tem um post com 11 opções de onde conseguir trabalho online;
  • Descubra qual deve ser seu valor mínimo que você precisa receber por hora (pode ser em dólares ou na moeda local que você está usando, ou mesmo em reais, se você ainda trabalhar para o Brasil. Ex: você pode não aceitar nada que te pague menos de USD10 por hora. Isso ajuda na hora de tomar uma decisão sobre qual trabalho vale a pena ou não);
  • Estabeleça também qual é o valor ideal por hora que você gostaria de receber – isso também te ajuda a entender de cara o tamanho do esforço que você pode ter que fazer para realizar alguma tarefa que você não gosta, mas paga bem;
  • Estabeleça também a quantidade de horas que você quer/consegue trabalhar por dia. Eu por exemplo gostaria de poder trabalhar menos de 8 horas por dia para conseguir fazer yoga e aprender Tantra. Esse equilíbrio de horas trabalhadas x horas livres e o quanto você quer ganhar no fim das contas é a receita do sucesso (que eu ainda não encontrei);
  • Não vou me ater à parte de despesas, porque só isso daria outro post (e provavelmente vou falar mais disso depois do workshop de prosperidade que vou coordenar);
  • Não existe trabalho por conta própria que não tem uma contabilidade fina de horas. Hoje eu sei dizer, com meu Google Calendar, quantas horas exatamente gasto no meu dia fazendo o que. Está tudo lá, de encontros sociais ao tempo que gasto escrevendo pro meu blog. Assim por exemplo sei se estou socializando demais e trabalhando de menos, por exemplo.

O que entendi lá atrás quando entreguei meu TCC é que provavelmente apenas uma fonte de receita não será suficiente ou não te dará flexibilidade para viajar. Essa flexibilidade quem constrói é você, com suas habilidades e com organização de tempo. E não tem nenhuma garatia que vai dar certo nem receita de sucesso, todas as pessoas que conheço que são nômades ou expatriados tiveram que encontrar sua própria fórmula e fazer várias concessões: de conforto, de segurança, de planos, de abrir mão de garantias – porque elas simplesmente não existem. Quer trabalhar e viajar? A parte difícil é essa aqui. Seja bem vindo ao time. 🙂


2 Comments

Patricia Alves · 18 de março de 2016 às 08:06

Bem legal! É por aí mesmo. Gostei das dicas, como já tinha te dito no Facebook, to querendo ir pra Tailandia depois do meu mestrado aqui na Holanda, preciso me organizar, acho que é a parte mais dificil!

    Ana Paula Coelho · 18 de março de 2016 às 08:24

    Pois é, Patrícia! Eu demorei um ano desde que comecei a planejar até sair de BH, e um ano e meio até chegar aqui. E ainda não tenho receita de sucesso, tô aqui tentando. 🙂

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