É a primeira vez que você vai viajar para o exterior? Então, foi a minha também. Como tive um monte de dúvidas (muitas bobas demais para alguém que já acostumado com isso) e tive vários aprendizados com esse processo, resolvi compartilhar o que aprendi. São coisas básicas, mas pode ser que algum desses detalhes você não conheça, e tem dicas úteis mesmo pra quem já viajou para fora do país e quer economizar na próxima viagem.

Eu tive que fazer o processo todo sozinha desde o início, desde tirar passaporte, procurar passagens, pedir vistos e conseguir hospedagem. Escolhi fazer isso não só pra economizar, mas para aprender também. Abaixo minhas dicas, organizada passo-a-passo, por ordem do que fazer e por temas.

Burocracia

imagePassaporte – se você, assim como eu, ainda não tinha passaporte quando resolveu viajar, vá já nesse site, preencha os formulários, pague a taxa e marque sua entrevista. Demora uns 2 dias pro banco acusar o recebimento da taxa, e a Polícia Federal agora só marca entrevista mediante o pagamento dela (pra evitar desistências). É bem simples, basta levar a documentação pedida. No posto que eu fui nem precisava levar foto, eles fazem na hora (mas não sei dizer se todos são assim agora). Dica: cheque todos os postos de atendimento na sua cidade, eles podem ter uma data mais interessante em outro endereço, se você tiver pressa. Entre a data que eu preenchi os formulários e a entrega do passaporte pronto foram menos de 30 dias.

Vacinas – muita gente esquece desse detalhe importante. Há vacinas que precisam ser tomadas com até 6 meses de antecedência (como Hepatite B, por exemplo). O que é exigido na maior parte dos países é a vacinação contra febre amarela, e é preciso pedir um certificado internacional de vacinação da Anvisa, que deve sempre acompanhar o passaporte. Em BH há o centro de atenção ao viajante que explica tudo e ainda emite o certificado, veja se na sua cidade há algo parecido, adianta muito a vida: eles sabem quais países exigem quais vacinas e já aplicam as gratuitas pelo SUS. Algumas recomendadas não são gratuitas (como meningite), então lembre-se de separar um dinheiro para tomar essas também (eu gastei cerca de R$450 com três vacinas). Pesquise bem os preços, varia muito de uma clínica pra outra. Preferencialmente tenha em mãos seus cartões de vacinação (mesmo os infantis), e em alguns casos você pode fazer teste para ver como andam os anticorpos para uma determinada doença (fiz isso e descobri que precisava tomar a de Hepatite B). Uma boa dica também é marcar um bom check-up antes da viagem, pra tratar qualquer coisinha em solo brasileiro antes de ter que acionar um seguro no exterior.

Lista de países que exigem visto de brasileiros – Site do governo brasileiro, com lista de janeiro de 2015 e instruções gerais sobre visto. Um jeito de organizar uma viagem mais rápida e com menos custos é escolher o destino de acorno com a possibilidade de não precisar de visto ou conseguir vistos na chegada ao país. lembre-se de conferir países nos quais seu voo faz conexão, pode ser que eles precisem de visto de trânsito (caso dos EUA e Japão).

Lista de embaixadas e consulados estrangeiros no Brasil – A lista é de 2014 e a fonte não é oficial, já que o site do Itamaraty não fornece endereços. Também há outra lista aqui.

Lista de embaixadas brasileiras no exterior – Você pode precisar de apoio brasileiro em alguma situação, então é bom ter o endereço anotado da embaixada brasileira no país que você vai.

 

Comprar passagens e descobrir como chegar

Rome2Rio – descubra como chegar de um lugar a outro, incluindo avião, trem, ônibus e até balsa.

Melhores Destinos – Tem um blog e aplicativo, e eles avisam sempre que há promoções de passagens, nacionais e internacionais. Acha cada coisa, do tipo ida e volta pro Caribe por R$800. Inacreditável. Eu achei a promoção que comprei pra Tailândia lá, só não sabia que ia gastar tanta grana com vistos dos países que o voo da Delta faz escala. Então fique atento a isso, pode chegar a duplicar o valor da sua passagem.

Skyscanner – Melhor ferramenta para buscar passagens aéreas baratas, principalmente se você ainda não sabe pra onde ir. Ele pode ter alertas de passagens baratas configurado sem escolher um destino ou uma data. Lembre de considerar custos de visto no valor da passagem, veja a lista de países em que é necessário visto (mesmo para trânsito, que é o tipo de visto para conexões). Escalas comuns são nos EUA, por exemplo, que exigem visto mesmo para menos de 24 horas de permanência no aeroporto.

 

Seguro Viagem

Eu tive que contratar um seguro saúde porque meu cartão de crédito não me dava essa vantagem. Cheque com o seu se ele oferece isso. Alguns oferecem seguro de acidentes em trânsito, o que é bom, mas o de atendimento médico, que é para emergências médicas de qualquer tipo (se ficar doente ou se machucar, por exemplo), é fundamental. Lembre-se que seu corpo não tem contato com bactérias de vários lugares e que você vai estar exposto a comidas preparadas com um grau de higiene provavelmente menor que o do Brasil (sim, somos um dos povos mais limpinhos do mundo). Eu contratei o da Mondial, dá pra comprar pela internet e o Viajadona, site da Fabi dá 15% de desconto pra você. Em alguns casos pode valer a pena comprar pelo telefone: quando eu cotei no site o preço estava bom, mas poucos dias depois rolou alta do dólar e o melhor preço que consegui foi com o atendente.

Mas como eu disse: só contrate depois de checar, por telefone, se seu cartão de crédito não te dá essa vantagem. Pra minha viagem de três meses meu seguro ficou quase R$1200. A Visa disponibiliza informações sobre seguros no site também (mesmo assim: ligue).

Se quiser ainda ver diversas possibilidades de seguro no mercado, tem esse site: mas lembre-se que pra comparar mesmo um com o outro você precisa ler TODOS os termos e condições dos seguros (boa sorte com isso). Eu li só o do que contratei e pra escolher ele confiei na indicação de amigos.

Independente do tipo que você escolher, tenha sempre em mãos o telefone de assistência no exterior e o número do seu certificado, e deixe seu contato de emergência com todas as informações: certificado, voo, hospedagem, etc, para o caso dele precisar acionar o seguro.

 

Dinheiro

Cheque quanto de dinheiro você precisa para fazer o que quer. Considere traslados, hospedagem, passeios, comida e emergências. Para saber quanto custa um dia disso tudo em vários lugares, o Quanto Custa Viajar é uma boa dica. Além disso um cartão de crédito internacional te ajuda com despesas de urgência, mas não é a melhor maneira de fazer a maior parte dos seus gastos, porque eles são cobrados em dólar e com a cotação do dia de fechamento da sua fatura (que pode ser incrivelmente mais caro do que o que você calculou, haja vista as altas recentes do dólar).

Lembre-se de ligar no seu banco e fazer o aviso de viagem, para liberar cartões para compras no exterior no seu cartão internacional (provavelmente ele não vem com essa função habilitada por segurança). Ainda assim, essa liberação pode falhar, e por isso mesmo que o IOF do Cartão Travel Money seja o mesmo dos cartões de crédito ainda vale a pena levá-lo, porque ele não corre tanto risco de bloqueio no exterior e você sabe exatamente o quanto está pagando no dólar quando carrega o cartão (ele é pré-pago). Ele existe nas bandeiras Visa, Mastercard e American Express. Eu escolhi o Visa porque é o mais antigo e acredito ser o mais aceito. Cheque se seu banco possui um cartão desse tipo, assim fica fácil recarregar mesmo do exterior, o Bradesco por exemplo faz recarga pela internet, caso você não tenha todo o dinheiro que pretende gastar na viagem em mãos.

Você também pode sacar dinheiro em vez de pagar com o cartão, mas fique atendo às taxas de saque do cartão e do ATM. O ATM é o caixa eletrônico de saque no exterior, e geralmente eles entregam moeda local. Se seu cartão for Visa, você pode usar o Visa ATM Locator para checar se tem caixas perto de você.

E dinheiro vivo? É a forma mais barata de levar, escolha euros ou dólares ou moeda local, se você já conseguir comprá-la aqui no Brasil. Eu trouxe dólares pra Tailândia, troquei 50 no aeroporto apenas para as primeiras despesas e o resto na cidade, porque a taxa de câmbio no aeroporto nunca é a melhor. É mais arriscado também, significa andar com esse dinheiro pra cima e pra baixo onde você estiver. Compre uma doleira, ela será certamente útil.

Conversor de moedas e unidades  – Há diversas opções, aqui um para Android e outro para iOS, ajuda demais a lidar com quanto dinheiro realmente você está gastando (ou quanto tem aquele frasco de xampu).

Bagagem

mochila_deuter_transit_65_preta-out7061200-1Leve o mínimo necessário, principalmente se o estilo for mochilão. A gente precisa de bem menos coisa do que acredita pra viver. Eu comprei uma mochila Deuter de 80 litros com mochila de ataque de 10 (um mochilão maior com uma mochila pequena acoplada, acho prático), e me chamaram de louca porque ela é muito grande. Gastei muita grana nessa mochila porque pretendo que ela seja pra vida toda. Mas tem ótimas da Quechua, mais baratas ou mesmo nacionais boas também.

Comprar frasqueirinhas ajudam com cosméticos pra levar na bagagem de mão, já que existem restrições de embarque de líquidos. Qualquer objeto cortante, mesmo pinças e alicate de unha, só podem ir na bagagem despachada. Não pode levar nenhum tipo de alimento in natura nem sementes.

Cheque os códigos de vestimenta do local que você vai. No caso de mulheres pode ser comum haverem restrições, como uso de lenços, não poder braços ou barriga de fora, roupas transparentes, curtas ou coladas. Mesmo sendo feminista e achando um absurdo cercearem minha liberdade de vestir, é importante respeitar a cultura do lugar que você vai. E dependendo do país isso pode ser inclusive uma questão de segurança. Busque pelo nome do país + roupas ou restrições e provavelmente você vai achar um blog post sobre isso.

Minha sugestão: faça também um checklist do que não pode deixar de levar, como essa que eu fiz no Google Keep (e que dá pra ticar quando você providenciar cada item):

checklist_viagem

 

Voluntariar em troca de hospedagem

Você pode escolher se hospedar como quiser, dos jeitos mais caros (hotéis e AirBnB chiques) ou mais baratos (hostels e Couchsurfing). Eu prefiro os últimos porque acho que temos mais possibilidades de conhecer nativos e pessoas de outras partes do mundo. No hostel que estou tem gente da Argentina, Suécia, Irlanda e EUA, além do staff local. Mas se quiser uma dica mais legal ainda, você pode oferecer suas habilidades em troca de hospedagem: além de ajudar as pessoas em coisas que elas precisam (eu por exemplo estou ensinando inglês aqui na Tailândia) você também economiza. Geralmente as pessoas pedem entre 2 e 6 horas por dia de trabalho em troca de hospedagem e outras facilidades (há quem ofereça café ou outras refeições, aulas de yoga ou mergulho, enfim, procure que tipo de atividade você gosta que provavelmente vai achar).

Wwoof – Mediante o pagamento de uma pequena anuidade você pode escolher fazendas orgânicas ao redor do mundo para trabalhar e conhecer novos lugares. Geralmente oferecem hospedagem e alimentação e você trabalha algumas horas por dia em troca, com folgas semanais.

Worldpackers – Site gratuito para procurar oportunidades em hostels, casa de nativos, comércios locais e experiências das mais diversas, como dar aulas de inglês para crianças. Também possui locais em várias partes do mundo.

Workaway – Muito parecido com o anterior, oferece mais opções de locais mas cobra anuidade. Os lugares que marquei foram pelo workaway.

 

Ganhar dinheiro à distância, de qualquer lugar que tenha internet

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Mais do que gastar, se você tiver tempo e disposição, pode também fazer um dinheirinho extra com poucas horas por dia. É o que prega a galera do nomadismo digital, que faz dinheiro enquanto viaja. E muitas vezes viajar para lugares paradisíacos pode ser mais barato do que um aluguel de um kitinete em uma grande cidade.

Confira aqui um post completo sobre como trabalhar online.

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