As últimas duas semanas tem sido extremamente desafiantes e desgastantes. Nos últimos dez dias fui apresentada a desafios emocionais, profissionais, financeiros, familiares, de convivência. É muito forninho pra pouca Giovanna. O carnaval no meio desse processo foi apenas um alívio temporário, em que me preocupar com fantasias e maquiagens me permitiu apenas manter a sanidade (quase todo o tempo).

Segura, Giovanna!

Segura, Giovanna!

Hoje espero encerrar esse ciclo de desgastes (já que os desafios ainda estão longe de ser todos eles superados). Espero aprender a ter mais resiliência, paciência e apreço pelo processo que estou passando, encarando com o devido respeito aos aprendizados que eles têm me imposto. Vou tentar compartilhar nesse post um pouco desses aprendizados.

Hoje me dei um tempo de afastamento, fiquei em casa o dia todo. Precisava descansar de todo o desgaste. Abri o Nexflix e fui ver da minha lista o que poderia assistir pra distrair um pouco. Providencialmente escolhi “O lobo de Wall Street”.

O filme é sobre dinheiro como fim, e não como um meio. Como destino, e não como meio para transações necessárias para que a vida aconteça, para a jornada. O personagem se transforma de um cara simplesmente ambicioso, que queria melhorar de vida, para um sujeito que faz o que for preciso, sem se importar com o impacto que suas decisões tem em outras pessoas, simplesmente para ganhar dinheiro. E ele ganha muito, tanto que depois nem sabe o que fazer mais com ele. E se perde em tudo que ele teve que fazer para conseguí-lo.

Sempre tive dificuldade de juntar dinheiro. Ele pra mim sempre foi um meio de conseguir outras coisas que são importantes, ele em si, tem pouca importância pra mim. Viajar é bom, conhecer novos lugares, novas pessoas, novos sabores, novas culturas, novos pensares. Aprender. E pra isso tudo gasta-se, e por isso basicamente que me importo em ganhar. Ter coisas nunca me teve apelo. Possuir tem pouco valor pra mim. Possuir algo útil – um lugar pra morar, um carro pra me locomover, roupas para vestir e aparelhos eletrônicos que me são úteis – faz sentido, e compro sempre que consigo. Mas comprar alguma roupa e nunca usar, ter um objeto qualquer que não pode ser usado, nunca me fez sentido. A felicidade pra mim não mora em possessão de coisas materiais, mas no aprendizado que o acesso a essas coisas pode proporcionar.

A economia colaborativa tem apontado cada vez mais com alternativas para pessoas que pensam como eu. Que não fazem questão de ter, mas sim de ter acesso. Couchsurfing, AirBnB, Fleety, bikes compartilhadas, e tantos outros negócios que surgiram simplesmente dessa lógica de compartilhar, e não de possuir. Porque a jornada que essas coisas proporcionam é mais importante do que o objetivo de possuí-las.

Mas como cultura, como um todo, ainda somos obcecados com o objetivo. Com possuir coisas, e até mesmo pessoas. Quem nunca quis “alguém para chamar de seu”? Até nossa linguagem é carregada de possessão. Ciúme, inveja, todos nascem da vontade de possuir alguém ou algo de outra pessoa. E possuir algo que não possa ser compartilhado significa morte. Morte de todas as coisas úteis que aquele objeto poderia proporcionar para quem usufruísse dele. Morte de todas as relações importantes que as pessoas que queremos possuir deveriam ter também com outras pessoas.

Só consegui chegar a esses pensamentos depois de ter acesso a várias referências, mas a principal delas, o que desencadeou como que tudo basicamente se resume em “atingir o objetivo” ou “curtir a jornada”, foram esses vídeos, que o Mitchell Roth (um dos gringos que conheci na copa) compartilhou no Facebook. Ele fala de intimidade, sexualidade, a priori, mas no fim das contas ele fala de vida e de morte, de jornada e destino.

 

O então cliché “curtir a jornada sem se preocupar com chegar logo ao destino” ganhou todo um novo significado pra mim. E fez com que hoje eu assistisse “O lobo de Wall Street” com esse olhar, e é tão claro ver como o personagem é unicamente preocupado com o destino, com o objetivo, com a morte. Se tem uma escolha que sempre fiz naturalmente e que continuarei escolhendo conscientemente é o contrário. A jornada, o aprendizado do caminho, a vida. Se todo esse aprendizado levar a um ponto sonhado, ótimo. Mas o mais importante é a caminhada.

Afinal de contas, uma vez cumprido o objetivo, não nos resta nada além de desejar uma próxima coisa. O que não ocorre se a felicidade for encontrada e usufruída pelo caminho, partilhada com outras pessoas durante a jornada.

Então te convido comigo a repensar. O que você tem feito com tanto foco no objetivo que se esqueceu de curtir a jornada?

 

Trilha sonora do post: A Seta e o alvo, Paulinho Moska

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