Gosto de perceber quando se fecham e se iniciam novos ciclos na vida. E gosto principalmente quando estou em paz com o fim de algum ciclo. Hoje, 12 de setembro, faz exatamente 5 meses que pisei em Ilhabela para começar um ano de aprendizado sobre mim. Um ano de autoconhecimento, reflexão, enfrentamento de medos e traumas, descoberta de novos mundos, dentro e fora de mim.

Claro que nada foi como planejado. A vida, essa caixinha de surpresas, é uma criança caprichosa que gosta de nos deixar construir lindos castelos de areia para derrubá-los com ondas. Quando cheguei aqui queria meditar todos os dias, me exercitar todos os dias e manter sempre uma atitude positiva. Imaginava que a mudança de ambiente fosse facilitar enormemente o processo. Facilita em algum nível sim, mas a verdadeira mudança só ocorre dentro da gente. E nem sempre ela é rápida como gostaríamos que fosse.

De conquistas desse tempo aqui tem uma melhora significativa na relação com meu corpo; a descoberta da Yoga como forma de conexão com ele (era um grande desafio pra mim); mais perguntas que respostas no meu futuro profissional (e ok, se sempre tive certezas, talvez seja a hora de ter dúvidas); aprendizados mil sobre viagens e educação disruptiva; melhor definição de sobre o que é esse blog e o que é meu projeto pessoal; constatação de alguns fatos sobre mim que fazem mais sentido aceitar do que lutar contra.

Embarco para a Tailândia amanhã para 3 meses de um novo ciclo que também imagino que não sairá exatamente como planejado, mas que também sei que trará muitos aprendizados. Quero aprender na prática como viajar e trabalhar, o tão falado nomadismo digital. Pretendo voltar a BH no fim do ano compartilhando esses aprendizados. E fortalecer minha conexão com corpo e atenção plena, com prática de yoga e um curso de meditação Vipassana. Esse último certamente será um grande desafio, 10 dias de silêncio total (sem falar, ler, escrever, usar aparelhos eletrônicos), meditando 10 horas por dia, com uma alimentação mínima e vegana. Não tem nada de confortável ou conhecido pra mim, que amo falar, carnes, uso comida como refúgio e tenho muita dificuldade de ser disciplinada.

A morte é condição necessária pra vida. Morte de hábitos, de crenças, de rotina. Para que dessa morte possa nascer uma nova forma de vida que buscamos. O fim de um ciclo traz algum pesar de deixar o que ele teve de bom para trás. Mas traz a alegria dos ensinamentos desconhecidos. Esse mês também faz um ano que comecei meu processo pesado de autoconhecimento. Que com ele sejam enterrados meus traumas, meus medos, minha angústia e ansiedade. Que esse meu ano novo que se inicia seja de vida, paz e alegria.

Sa wad dee ka, ano novo. 🙂

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