Tenho dificuldade em conhecer e aceitar meus limites, físicos, mentais e emocionais. Muito provavelmente é essa sabedoria que os defensores do autoconhecimento tanto pregam. Você conhece os seus? Sei que em alguns casos sou boa de perceber os meus. Bebida alcóolica por exemplo, sou excelente em saber quando devo parar. Se passo da conta sei que passei, e foi uma escolha consciente. Mas esse padrão de autoconhecimento não se repete em várias outras situações.

As emocionais e físicas costumam ser as mais desafiantes pra mim. Se algo que alguém com quem me relaciono, seja amigos, família, trabalho ou mesmo relacionamento amoroso, faz algo que me incomoda, eu tento não reagir, não confrontar. Por vezes o resultado é pior do que esperado, porque na maior parte das vezes não consigo simplesmente deixar passar. Esse incômodo cresce até o ponto de virar de um tamanho desnecessário, num lugar que soluções mais brandas já não servem. Já identifiquei que isso tem a ver com minha necessidade de aceitação, mas ter percebido isso não fez com que eu consiga dizer sempre, logo de cara, algo que me incomoda. Eu tento ser compreensiva, ter empatia, acolher. Mas parece que antes de fazer isso com o outro, eu preciso fazer isso comigo mesma. Talvez seja por isso que eu não tenha sucesso em deixar passar o que me incomoda.

As físicas são outras desafiadoras. Estou ainda em processo de reconhecimento, aceitação e comunhão com meu corpo. Assim, por vezes o levo além dos seus limites, me causando dores ou desconfortos dos mais diversos. Nesse caso tem a ver com a expectativa do outro e a comparação: se o sujeito faz, porque eu não consigo fazer? E o outro me dizendo: “vai, mais um pouco, se esforça” me faz me sentir uma preguiçosa se não tentar. Tento, quase sempre me estrepo. Por isso já sei que academia e instrutores comuns não servem pra mim. Não sofro de falta de vontade ou esforço em tentar. Meu problema é exatamente o contrário. Talvez por isso goste tanto de Yoga. A maior parte dos instrutores não pressiona para ir um pouco além, mas para escutar a necessidade do seu corpo e respeitá-la. É o que preciso fazer por mim, ouvir meu corpo e respeitá-lo.

E o que isso tem a ver com liberdade? Tudo. Ser livre pra mim significa saber o que eu posso e quero fazer, e conseguir fazê-lo. E ao ser pressionada a fazer algo que está além dos meus limites, ser capaz de dizer “não”, e não me sentir culpada por isso. Se desconheço meus limites, como posso ser livre?

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