Quarta feira de cinzas de 2015. Depois de uma noite insone de choro e desespero, sabendo que o jeito que eu levava minha vida não me fazia mais feliz, às 7 da manhã da porta de um supermercado por abrir eu escrevi um dos mais importantes e-mails da minha vida. Foi quando decidi chutar de vez o balde, e pra isso mandei uma mensagem para o UnCollege perguntando de opções de financiamento para fazer um Gap Year – tirar um ano sabático – com eles.

Eu estava às vésperas de ser demitida do trabalho (e já desconfiava disso), tinha um não-relacionamento que estava muito doído, meus colegas de apartamento já tinham decidido se mudar para outro apartamento, e eu tinha que decidir se ia ficar ou se ia embora. Depois de mandar esse e-mail, comecei a mover minha vida para uma nova direção – ainda que não soubesse exatamente que norte era esse.

Alguns dias depois fui mesmo demitida (para minha alegria) e me coloquei a trabalhar para mim mesma, como contei aqui. Em um mês vendi carro, entreguei apartamento, vendi coisas, tirei passaporte, tomei vacinas, fiz check-up, providenciei procurações, e tudo mais para deixar minha vida em ordem antes de sair nesse ano de aventura. O UnCollege me aceitou como fellow e eu parti para Ilhabela no início de abril. Mas tudo começou naquela quarta-feira de cinzas de 2015.

O que aconteceu depois que chutei o balde

Meu primeiro medo ao chutar o balde e sair por aí é que não estivesse preparada o suficiente para me virar sozinha. Apesar de sempre ter sido super independente, nunca tinha feito uma viagem internacional e não sabia se conseguiria me virar com tudo. Para isso, a Launch Phase do UnCollege foi fundamental pra me preparar: fisica, emocionalmente e com as habilidades práticas que precisava para tal. Com o coaching e mentoria oferecidos por eles fui capaz de escolher o lugar mais que perfeito (ainda que eu não soubesse ainda o quanto) para meu propósito, e providenciar tudo mais que precisava para fazer essa viagem. Isso se chama Hackschooling, e eu contei um pouco sobre esse processo aqui:

O que é hackschooling (hangout);

O que aprendi na Launch Phase do UnCollege;

O momento maravilhoso que eu antingi o vazio (e não sabia mas eu precisava mesmo me esvaziar para me encher de novo);

Novamente me encontrei num momento de incerteza. Vocês não tem ideia o quanto é angustiante para alguém como eu, que tentava sempre planejar e controlar coisas, como foi difícil vir para a Tailândia tendo apenas três coisas decididas para fazer: voluntariar num hostel em Bangkok por duas semanas, voluntariar em um resort que oferecia yoga por três semanas e depois fazer um retiro de meditação Vipassana por 10 dias. Parece uma viagem bem planejada para alguns, mas para mim era puro desespero. Eu ainda teria um mês sem saber o que fazer.

Aí essa ilha incrível onde estou, Ko Phangan, aconteceu. Eu não tinha ideia que a vida tinha escolhido a Tailândia para mim, e não o contrário. Reaprendi e redescobri coisas sobre mim e comecei a fase de reais mudanças da minha vida, escolhendo fazer um intensivo de um mês de yoga (level 1 da Agama) e a partir disso resolvi simplesmente não voltar da minha viagem. Cancelei a passagem de volta e fiquei aqui.

Até acroyoga já me atrevi a tentar

Até acroyoga já me atrevi a tentar

Meus primeiros ensinamentos da yoga;

Quando decidi não ir para o Vipassana e fazer o intensivo de yoga;

O dia que minha calça rasgou no meio da aula;

Quando comecei a enfrentar meu medos de frente e me tornar a mulher que posso ser;

Eu resolvi ficar para aprender Tantra, e quando escolhi isso, quando percebi o quão profundamente isso está conectado ao meu propósito, as coisas começaram a acontecer. Comecei meu terceiro nível de yoga na escola, fiz três workshops de Tantra aqui e mais um fora, várias massagens tântricas e até um hangout sobre isso para contar o que tenho aprendido aqui. E estou só no começo da jornada.

Os cursos de yoga e tantra que já fiz.

Os cursos de yoga e tantra que já fiz.

Yoga, Tantra e liberação feminina;

Aceitando seu lado negro;

Sobre expectativas;

Como aprender a se amar;

Por que repetimos nossos “erros”;

Um ano depois da minha decisão de chutar o balde, 10 meses depois de sair de Belo Horizonte e cinco meses depois de sair do Brasil, tenho certeza apenas de uma coisa: estou no caminho certo. Só não me perguntem qual é esse caminho ainda porque estou na estrada perguntando.

E se quiser vir para cá também, veja esse guia de Ko Phangan que preparei e também esse post sobre a escola de yoga que estudo. 🙂

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