Já tem algum tempo que tenho me sentido perdida. Quando escolhi romper com a vida que levava e me lançar ao mundo para aprender, sabia que as incertezas me causariam incômodo. Mas o que eu não sabia é que essa experiência ia arrancar todas as certezas que eu achava que tinha.

Aqui mesmo no blog já contei como me achava alguém que sabia planejar bem. Sempre enxerguei com facilidade o caminho que eu precisava seguir pra chegar onde queria. Mas o que acontece quando você não sabe o que quer? Eu não tinha noção do quão angustiante pode ser isso. Eu SEMPRE soube o que eu queria.

Quando escolhi o Sudeste Asiático como meu destino de viagem durante meu Gap Year, não foi por acaso. Além de muita gente me indicando o lugar, o recente rush de brasileiros na Tailândia, acabei descobrindo lá alguns lugares que eu poderia conhecer e que tinham a ver com o que eu queria (e acho que ainda quero) estudar: educação disruptiva. Só não sei mais se esse vai ser o foco da minha viagem.

Quando comecei a planejar a viagem, comprei as passagens em promoção, tracei a rota a partir das escolas que queria conhecer e da oportunidade que cavei lá. Era excelente, eu ia passar 21 dias fazendo um programa incrível  – e o melhor, trocando meu trabalho pelo programa – na The Change School, em Bali, na Indonésia, além de conhecer várias outras iniciativas de educação inovadoras.

Mas aí, meus amigos, a vida, essa caixinha de surpresas, começou a me presentear com várias dificuldades: perdi uma grana enorme – ao todo quase R$1700 – por causa de visto e remarcação de passagem (conto essa saga e como fazer pra evitar isso aqui); o programa da The Change School não vai mais acontecer durante a minha viagem pra lá; e eu ignorava o impacto das monções nessa época do ano no Sudeste Asiático. Ou seja, todos os planos que eu tinha feito não serviam de mais nada. O trajeto, os lugares que queria visitar, nada. Hoje estou aqui, a exatas três semanas da viagem, sem ter noção do que fazer.

Mais ainda: descobri desde o fim da Launch Phase que não sei mais o que quero. Antes meu Gap Year era um tempo pra mim antes de eu tentar um mestrado na faculdade de educação na UFMG. Hoje já morro de amores por Ilhabela e penso em me mudar pra cá definitivamente (mas nem disso tenho certeza às vezes). Aqui é lindo mas como qualquer outro lugar apresenta seus desafios. E eu numa encruzilhada profissional que nem sei bem como definir.

Das poucas coisas que sei: quero trabalhar com educação, e de jovens adultos. Quero ser capaz de apoiá-los em suas escolhas, trocar com eles e ajudá-los como eu puder a traçarem seus próprios caminhos. Quero ajudar as pessoas a saírem do lugar comum, das falsas crenças impossibilitantes, e alcançarem aquilo que elas quiserem. Poucas coisas me fizeram mais feliz nessa vida do que quando uma aluna brilhante conseguiu estágio em uma ótima empresa, na área que ela queria, e que eu a ajudei nisso. Quando outro veio me dizer que começou a estudar HTML sozinho no Codecademy, e que era mesmo fácil, como eu havia dito. Tenho prazer de experimentar algo novo, aprender algo e contar a quem estiver interessado como aquilo funciona. E aprender junto, trocar o que sei pelo que eu não sei mas outra pessoa sabe.

Mas não tenho nem ideia de como fazer isso. Numa faculdade parece fazer pouco sentido agora, depois que tive tanto contato com educação informal e todos os benefícios de hackschooling e unschooling. Mais ainda se realmente pretendo fincar pé na ilha, já que não há universidades aqui (há só uma faculdade em São Sebá e outra em Caraguá, nenhuma com algum curso que eu possa “ensinar”). A ensinagem, como diz o Tião Rocha, me parece cada vez mais sem sentido. A aprendizagem me brilha muito aos olhos, mas ela não tem método nem certezas, todos os caminhos estão sendo trilhados agora.

Então é isso. Oficialmente, não sei o que fazer da vida (nem da viagem). Estou pensando que me deixar levar pelos acontecimentos é uma alternativa, mas eu não sei lidar com isso, de ir com a maré. Me sinto desmotivada a fazer qualquer coisa porque simplesmente não sei onde quero chegar (e se não sei onde quero chegar, tanto faz o caminho). Quem já aprendeu a lidar com esse sentimento, me ensina?

(Visited 86 times, 1 visits today)