Eu sou muito boa em fazer currículos. Lá com meus 18 anos, sem experiência e apenas com alguns cursos profissionalizantes para tentar conseguir um emprego, tive que aprender a ser criativa para pelo menos ser chamada para entrevistas. E olha, fiz muitos currículos e muitas entrevistas. Provavelmente foi isso que me ajudou a desenvolver essa habilidade, e hoje se você olha minha conta no Linkedin dá pra ver que eu acabei caminhando bem nessa estrada.

Mas há cerca de um ano resolvi fazer diferente e publicar um descurrículo. De repende me dei conta que desde os meus 18 anos eu venho acumulando toda sorte de experiências variadas que teoricamente não servem para o mercado de trabalho. Bom, teoricamente, apenas. Porque o acúmulo dessas experiências, o prazer que elas me proporcionaram e as outras habilidades que essas experiências me fizeram aprender, servem e muito para qualquer tipo de trabalho que eu resolva fazer. Ele já está desatualizado, porque no último ano tanta coisa incrível me aconteceu!

Hoje pipocou pra mim a notícia de um professor de Princetown que resolveu fazer algo diferente também: fazer um currículo de fracassos, tudo que ele já tentou profisssionalmente e não foi bem sucedido. Johannes Haushofer publicou no Twitter com o intuito de demonstrar aquilo que já contei algumas vezes por aqui: as pessoas vêem as pingas que a gente toma, mas não vêem os tombos que a gente leva. Esse professor de psicologia sabe muito bem disso, e para incentivar um amigo que estava passando por um momento difícil, resolveu mostrar que essa história de que a grama do vizinho é mais verde é sempre uma ilusão.

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Saber que para cada “sim” muito provavelmente vamos levar vários “nãos” é uma das habilidades que curso nenhum ensina. Exceto o Desaprender e o Gap Year do UnCollege. Quais são essas habilidades que a gente se acostumou a achar que viriam naturalmente com o “tempo” e a “experiência” que podemos hackear e ensinar a nós mesmos? Não é à toa que yoga e meditação tem sido ferramentas amplamente utilizadas hoje, inclusive no mundo dos negócios, já que podem ensinar resiliência, empatia, entre outras habilidades fundamentais para qualquer pessoa. Porque parece que estamos finalmente entendendo que o diploma na mão de nada serve se o sujeito não estiver preparado para a vida. Essa sim, mais importante do que qualquer emprego.

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