O principal desafio da minha vida é aprender a ter paciência. Tenho imensa dificuldade de ser paciente comigo, com os outros, com o mundo. Tenho uma grande urgência em viver e me irrito muito facilmente com quem não tem um ritmo parecido com o meu. Eu sei, é feio. E não gosto de admitir isso. E me causa muito sofrimento perceber que deixo de ficar em paz, que perco momentos de felicidade pelo simples fato de não conseguir esperar.

O Thiago Berto, que já postei um vídeo da palestra dele aqui, conta que quando nos irritamos com algo em alguém na verdade isso é um efeito espelho: estamos nos irritando com algo que temos em nós mesmos e não queremos enxergar. Porque enxergar que também somos como aquela outra pessoa, mesmo que possa nos parecer que nossas questões não são tão graves quanto as dela (“nossa, como o fulano é mente fechada, ele precisa ser mais aberto”, só aponta pra nós mesmos aquilo que ainda temos que abrir mais).

Reconhecer isso, nossas fraquezas, apesar de ser um passo em relação à solução, nem sempre consegue me fazer sair do lugar. Sinto que tenho as mesmas brigas todas as vezes, com as mesmas pessoas ou com pessoas diferentes, mas os mesmos arquétipos. E é extremamente cansativo viver nesse constante déjà vu. Porque simplesmente não aprendo que isso não é bom pra mim e deixo pra lá?

Tento por várias vezes simplesmente deixar acontecer. Deixar ver onde vai dar. Uma sensação de marasmo horrorosa toma conta de mim. A sensação de que nada está mudando. De que estou estagnada. De que se eu nada fizer, nada vai mudar. E algumas vezes (várias inclusive) fiz o teste: não agi. E esperei pra ver se algo acontecia. Na grande parte das vezes, não aconteceu. Trabalhos foram entregues aquém da expectativa porque não agi na hora certa. Relacionamentos que eu gostaria de desenvolver não aconteceram. Então, qual a solução? Tentar mover contra a corrente causa sofrimento, ficar parada não me leva pra frente.

Adquirir a sabedoria de quando mover e quando permanecer quieta, esperando a correnteza diminuir. Fácil dizer na teoria, ainda parece um patamar inalcançável pra mim. E tudo tem a ver com expectativas. Aquelas que insisto em criar, mesmo sabendo que são bichinhos traiçoeiros.

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Eu. Sempre.

O que tem a ver com o segundo paradigma: como construir um futuro, visualizá-lo e traçar caminhos para que se chegue nele, sem criar expectativas? Porque elas são a causa principal da impaciência, do sofrimento. Foco no presente, dizem as filosofias dos que parecem ter conseguido alcançar essa paz aparentemente tão inatingível pra mim. De novo, entendido na teoria, parece que ainda me falta um grande caminho pra absorver isso na prática.

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