Durante todo esse processo do Ainda Que Tardia talvez o mais valioso aprendizado que tive foi o da importância da prototipagem. Só fazendo e colocando as coisas em prática, testando, vendo como se comporta o público, os retornos que temos a respeito dos produtos e serviços que imaginamos tão lindamente nos planos fabulosos que temos nas nossas cabeças, como eles sobrevivem no árido terreno da realidade, é que vemos como elas realmente são.

O próprio AQT, por exemplo. Começou como um projeto de viagem de volta ao mundo, foi prototipado como blog. Nos primeiros retornos do público (sim, vocês mesmo aí, gente, que gastam o precioso tempo de vocês lendo e escrevendo comentários pra mim, brigada) percebi que os anseios dos leitores iam além de meros espectadores de uma viagem alheia: eles também tinham seus próprios sonhos, projetos. E que o fato de eu estar planejando algo que considero desafiador, que me faria recolher uma série de aprendizados, poderia usar esses aprendizados em prol dessas pessoas, dos anseios desse público.

Assim, a partir do primeiro protótipo, o MVP (Minimum Viable Product – Mínimo Produto Viável) como chamamos e do primeiro contato com o público, a primeira modificação (ou pivotagem, jargão que se usa em startups) foi feita no Ainda Que Tardia. Ele deixou de ser apenas um projeto de viagem de volta ao mundo para ser um projeto de compartilhamento de conhecimento sobre como colocar projetos em prática.

 

Pra além disso, quando começamos a nos inscrever em editais que pudessem viabilizar nossa viagem de volta ao mundo ou o projeto de alguma forma, começamos a perceber outras coisas a respeito do projeto:

1. Que estava pouco tangível;

Falar sobre liberdade, ou sobre como ajudar as pessoas a colocarem os projetos delas em prática, é pouco tangível pra maior parte das pessoas. Na minha banca de TCC, quando apresentei o projeto, uma das perguntas que um dos membros da banca me fez foi: como você me venderia uma hora de liberdade? Essa pergunta ainda me incomoda (que bom, gosto de coisas que me incomodam, incômodo é motor de mudança, a hora que eu encontrar a resposta pra essa pergunta provavelmente terei descoberto um negócio inovador).

2. Que estava amplo;

Mal de planejadora e pouco detalhista que sou, enxergo bem o todo e a estratégia global, o detalhe me parece óbvio. E não é. O “como”, o detalhe, a tática, é por vezes o segredo de um modelo de negócio bem sucedido. Assim, Fabi Soares propôs uma subdivisão de produtos do Ainda Que Tardia que me pareceu super assertiva, e que já começamos a colocar em prática. Uma parte desses subprodutos você já confere na página do Facebook BH não é Roça.

3. Que estava complexo;

Eu gasto quase 4 minutos pra contar o que é o Ainda Que Tardia. Fuén. Versus 15 segundos pra contar o que é o BH não é Roça. E todo mundo entende o BH não é Roça. Não é que um vá substituir o outro, porque na verdade o BHNER é só um pedacinho do AQT, e ele vai nos ajudar a ganhar audiência pra gente fazer todo o resto do plano. E tem mais plano por aí.

Enfim, aprendi muito ao prototipar, ao fazer, ao colocar em prática, ao colocar a mão na massa, botar a criança no mundo e deixar ela botar o dedo na tomada pra ver se leva choque. E isso tem a ver com a segunda parte dessa conversa aqui, que logo vamos contar, que se chama Movimento Maker. Aguardem. 🙂

(Visited 10 times, 1 visits today)