liberdade

Não é a música do Só Pra Contrariar, certamente. O motivo da liberdade ser meu objeto de estudo tem raízes lá na minha infância. Ontem conversando com um cara que conheci, empreendedor com uma startup de vídeos de curiosidades, ele me conta que estudou formalmente somente até a 7ª série fundamental. Aí me lembro de uma história parecida minha, em que lá pela terceira série, frustrada com os métodos normalizantes de ensino tradicional, disse para minha mãe que eu não queria mais estudar.

Eu estava incomodada com o método de repetição da escola, em que o para-casa pede uma repetição sem abstração daquilo que já havia sido estudado em sala. O método ~decoreba~ nunca me teve apelo. A tabuada e o dever de casa eram meus piores pesadelos. Não fazia o menor sentido pra mim ter que decorar uma tabela (já que ela existe para ser consultada) e menos ainda transcrever para o papel mais uma vez aquilo já aprendido em sala de aula.

Criatura sábia, essa minha mãe, começa a ter uma das várias conversas profundas que ela teve comigo, mesmo sendo eu tão criança. Ela me conta das dificuldades que teve na vida em função de não ter estudado (lembremos que na época e com os poucos recursos que minha mãe possuía, escola formal era talvez o único meio de adquirir conhecimento). E ela me conta que diversas vezes teve que direcionar suas escolhas de forma a tolher sua liberdade. Porque não havia muitas opções de sobrevivência, não tendo ela estudado para ser livre.

Essa noção de conhecimento que liberta não é nova. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, lá da bíblia, talvez tenha exatamente essa conotação. Temos mais liberdade para tomar decisões quando entendemos claramente o cenário em que estamos inseridos. Conseguimos perceber melhor as possibilidades, reconhecer oportunidades, traçar planos que nos permitam alcançar o que queremos.

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Outra história da minha infância que está relacionada ao conhecimento aconteceu quando eu tinha cerca de 12 anos. Voltando com a família de um fim-de-semana no interior, paramos na casa da sogra da minha irmã para um lanche. O sogro da minha irmã, um senhor já dos seus sessenta e tantos anos, começa a conversar comigo. Ele me pergunta: “o que você sabe sobre uma árvore?” e eu, ainda meio sem entender, começo a elencar coisas que sabia sobre uma árvore. “Ela tem raízes, tronco, folhas”. “E o que tem nas folhas?” “Clorofila”. “E o que mais?” “Células”, respondo eu. Ele insiste: “mais ainda?” “celulose”, respondo, ainda achando aquela conversa sem pé-nem-cabeça. Ele continua insistindo e consigo listar ainda diversas coisas que sabia sobre uma árvore. Então ele conclui: “Perceba o quanto você sabe apenas sobre uma árvore. Conhecimento é algo que não ocupa espaço. Além disso, podem te tirar dinheiro, bens, as pessoas que você ama, mas nunca podem tirar de você aquilo que você sabe.

Bum. Minha cabeça explodiu, nunca mais me esqueci daquele dia, daquela conversa. E talvez por isso o conhecimento faça tanta diferença pra mim. Porque eu entendo ele como uma forma de conseguir ser livre. “Liberdade ainda que tardia” é a tradução do que está na bandeira de Minas Gerais, e isso me pareceu fortuito, sendo eu mineira, que fosse esse o título do meu projeto. De explorar a minha liberdade e de investigar o que outras pessoas entendem por liberdade, o que isso significa pra elas.

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Trilha sonora do post: Marisa Monte – O que você quer saber de verdade

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