Prega-se que as pessoas tem um pavor terrível de mudanças. Sempre tive dificuldade de entender isso, se tudo na vida que vemos, desde que nascemos, é justamente as coisas mudarem ao nosso redor. Crescer é mudar, aprender é mudar, se relacionar com pessoas (familiares, amigos, amores) é mudar, trabalhar é mudar as coisas. Estamos o tempo todo provocando ou sofrendo mudanças entretanto ouvindo dos outros que temos medo delas. Ora, como teríamos medo de algo que nos é tão comum quanto respirar (que também é uma mudança)?

Eu tenho medo de lagarta e trator, ambos bem justificados.

Eu tenho medo de lagarta e trator, ambos bem justificados.


O que pode talvez nos incomodar é o tempo relativo dessas mudanças. Podemos não perceber tanto as mudanças que uma pedra sofre durante o tempo, já que o tempo dela na terra é infinitamente maior que o nosso e as mudanças que ela sofre perpassam nossa vida. Já uma flor, percebemos facilmente as mudanças que a afetam. Nossa noção de tempo e mudanças tem se modificado muito também desde a internet e as tecnologias digitais. Imagino que você não saiba, mas a internet como a conhecemos, a World Wide Web tem apenas 25 anos. E o iPhone apenas 7. E ambos mudaram completamente a forma com que a humanidade percebe tempo, aprendizado e mudanças.

Eu já tenho uma teoria diferente. De que sempre haverá um profeta do apocalipse pra pregar uma doença quando há alguém querendo vender um remédio. Eu acredito que esse medo de mudanças é um medo incutido nas pessoas pela cultura. Um filme chamado A Vila, do M. Night Shyamalan, exemplifica bem o que quero contar aqui.


Já peço desculpas pelos spoilers, mas o filme nem é bom (nota 6,5 no IMDB): a população da vila vive com medo de um monstro terrível, que ataca pessoas. Desde pequenas, as crianças são ensinadas que não devem ultrapassar os limites da vila, não devem ir à floresta, senão o mostro vai pegá-las.

Já adivinharam o fim do filme, certo? Não há monstro nenhum. O medo é só uma forma de garantir controle das pessoas. Já pensou o quanto você deixou de fazer coisas na sua vida por simples medo de um mostro desconhecido? Que muito provavelmente sequer é real?

Na filosofia oriental o chacra do coração é o ligado à coragem. Acho significativo que não seja a mente, o conhecimento, que traz coragem, mas sim o coração, o sentimento. Ou seja, não é uma questão do quanto você lê, aprende ou pensa sobre algo; mas o quanto você se abre para algo. O quanto está disposto a amar. E a sofrer (porque sim, se abrindo mais, arriscando mais, é natural que nos machuquemos mais). É um tipo de aprendizado diferente, esse da experiência, do cair e se levantar, do tocar, do sentir, não do pensar sobre.

Pra 2015 te proponho experimentar mais. Sentir, em vez de negar. Mudar o caminho que você faz todos os dias. Mudar o comportamento que sempre teve, seja ao passar a cumprimentar alguém que nunca cumprimentou antes. Fazer algo de um jeito que nunca fez antes. Nas pequenas coisas moram as sementes das grandes mudanças. E não tenha medo delas, elas vão te levar pra caminhos novos, pessoas novas, aprendizados novos. Afinal, só não muda quem já morreu. 🙂


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