Tenho uma frase que quando digo causo um incômodo profundo em quem ouve: “acredito que existem dois tipos de pessoas no mundo: aqueles que reclamam e aqueles que fazem”. E as pessoas se incomodam quando ouvem porque quase sempre quem ouve se enxerga no primeiro tipo de pessoa. E eu também sou o primeiro tipo, e você também. E todos nós somos, algum dia, alguém que reclama mais do que faz. Mas podemos ser alguém que faz mais do que reclama.

Sabe o princípio de Pareto? Você pode escolher fazer 80% do tempo em vez de reclamar 80% do tempo. A grande parte das pessoas é da turma do #mimimi que terceiriza a responsabilidade da própria vida, da felicidade, da cidadania, da mudança do país, da melhoria da qualidade de vida, do fim da corrupção… acho que você já entendeu e é desnecessário continuar a lista. A responsabilidade é sua, não é do governo, não é dos seus pais, nem do seu vizinho, nem do seu colega de trabalho, nem do seu chefe, nem do professor, nem do seu marido, nem da sua namorada. É sua mesmo.

Se cada um de nós tomar a responsabilidade da mudança para si e resolver fazer em vez de reclamar, as coisas mudam. Das pequenas coisas, por exemplo. De não falsificar a carteirinha de estudante pra pagar meia e não ser corrupto (sim, querido, isso é corrupção, não é só o mensalão não). De escolher fazer o certo. De escolher estudar em vez de ver novela, porque isso muda seu futuro. De escolher dar mais atenção a você mesmo do que ao seu time de futebol, porque se conhecer faz mais diferença na sua vida do que saber a escalação do seu time. De fazer algo que você ame, em vez de reclamar todos os dias de um emprego que te paga um salário ruim pra fazer algo que você não gosta.

Mas escolher assumir a responsabilidade pela própria vida é algo difícil, porque não há alguém pra culpar quando as coisas dão errado a não ser você mesmo, não é? Pois bem, inclusive isso é importante. Aprender a se perdoar. Parar de colocar a culpa em alguém, inclusive em você mesmo. Culpa é um sentimento que nunca levou ninguém a lugar nenhum, então pare de imputá-la aos outros e a si mesmo e veja como as coisas serão diferentes.

Parece que estou falando aqui de um lugar onde não faço essas coisas mais, que tenho uma conduta ilibada pra comigo mesma e com o mundo. Pois não tenho, a grande coisa é que essa é uma luta diária, a de escolher fazer em vez de reclamar. O caminho mais fácil é reclamar e não fazer. E por vezes a gente se deixa seduzir por esse caminho. E inclusive se perdoar quando a gente se deixa seduzir faz parte. Mas se perdoar e se colocar no caminho de fazer, e não voltar para a estagnação.

Minha sugestão aqui é tentar. Pense duas vezes antes de soltar aquele #mimimi no Facebook ou Twitter. Pense se não tem algo que você devia estar fazendo para que aquele cenário fosse diferente, em vez de só estar reclamando.

Aqui vão algumas sugestões: um vídeo da Luisa Martini, empreendedora, sócia da FlagCX, maker, que diz que nunca tivemos tanta oportunidade de moldar um mundo da forma como queremos.

 

E dois livros (ambos em inglês ainda) do Niall Doherty: Disrupting the Rabblement (que numa tradução livre seria algo como Rompendo com o Status Quo) e The Cargo Ship Diaries (também tradução livre, O Diário do Cargueiro), ambos livros para Kindle na Amazon. O Niall viaja o mundo sem nunca entrar num avião já há três anos e meio e eu tive o prazer de conhecê-lo quando ele morou em BH. Eu ainda nem sabia desses livros nem da história dele, e do quanto as suas ideias combinam com as minhas. Mas o universo tem isso, de juntar pessoas que pensam parecido, né? Assim eu acho. Já li o Cargo Ship e estou começando o Disrupting e gostando muito.

 

E o que eu estou fazendo pra mudar esse cenário do qual estou reclamando? Você pode me perguntar. Eu estou escrevendo esse post aqui e tentando viabilizar o Ainda Que Tardia, que tem o propósito de empoderar pessoas a realizarem seus próprios projetos. 😉


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