Como aprender a se amar? Às vezes parece algo óbvio demais para ser dito, mas é imperativo: precisamos aprender a nos amar. Hoje, agora, nesse exato minuto. Talvez você nunca tenha parado pra pensar nisso, talvez você seja melhor nisso do que outras pessoas, talvez desde sempre você soube que precisava fazer isso mas não sabia como. Eu estava no último grupo. Vários motivos (que não vem ao caso no momento) me levaram a um lugar de não amor, de não aceitação, que por consequência me faziam buscar constantemente amor nas outras pessoas. Mas aqui entra outro cliché: não espere que as pessoas te amem se você não se ama. Sim, vai ter gente que vai te amar mesmo que você não se ame, mas o risco de cair em armadilhas é altíssimo. Portanto, se você ainda não se ama, eu conto aqui cinco coisas simples que, quando coloquei em prática, me ajudaram a me amar.

1. Se conheça

Até aqui nada de novo que você já não tenha visto ou ouvido milhões de vezes, né? Mas você já colocou em prática? Eu achava que me conhecia bem até começar a fazer as perguntas “certas”. Eu tinha planos, sonhos, expectativas, e tinha uma autoimagem baseada na minha história e na imagem que outras pessoas tinham de mim. Mas nada disso significa se conhecer.

Eu estava voluntariando num resort quando um dos hóspedes, um indiano/inglês se sentou ao meu lado no restaurante e começamos a conversar. Poucas palavras depois, ele me perguntou: “Quem você é?” e eu imediatamente reconheci que essa era uma pergunta poderosa. Não reagi de bate pronto com uma resposta, mas pensei alguns segundos nas coisas que eu gosto de fazer, no que me motiva, no que me atrai. E respondi com alguns adjetivos. Mas pergunta fundamental de “quem eu sou” não pode ser respondida com adjetivos, e foi essa a resposta que ele me deu.

Eu ainda não descobri de todo quem eu sou, mas a cada dia descubro pistas disso. Reconheço que quem eu sou está ligado ao meu propósito (que acabei descobrindo que eu também não conheço por completo). Mas essa jornada de me perguntar constantemente quem sou eu, o que vim fazer aqui, o que vim aprender/ensinar, me ajuda a entender melhor as coisas e pessoas para as quais eu preciso dizer sim ou não. Para quem vou abrir espaço na minha vida, para o que quero que faça parte dela. E isso é o primeiro passo para fazer escolhas mais verdadeiras. Quem é você? Mesmo que você ainda não tenha a resposta, começe a se perguntar. Você vai descobrir coisas maravilhosas a respeito de si, por si mesmo.

2. Se toque

No nível físico, isso mesmo. Se acarinhe, se abrace. Parece ridículo fazer isso, mas quantas vezes esperamos um abraço e um toque de carinho de outras pessoas? Por que você não poderia fazer isso por você mesmo? Em vez de usar suas mãos em seu corpo apenas para utilidades práticas do dia a dia, comece a usar também para se acalentar. Se explorar, se dar carinho, amor e prazer. Explore com cuidado e atenção cada parte do seu corpo, descubra os pontos e a pressão que gosta em cada pedaço de você. Precisamos de contato e ele pode vir da gente mesmo, além de ajudar também a saber o que e como você gosta, para ensinar a alguém quando você estiver com um parceiro.

3. Se elogie

Tanta gente bate na tecla de afirmações, e só quando eu comecei a fazê-las vi o quanto são poderosas. No início parece forçado e ridículo, mas “fake until you make it” (finja até conseguir). Eu tenho questões a serem resolvidas com meu corpo, e quando eu comecei a dizer coisas boas sobre mim para mim mesma, as coisas começaram a mudar para melhor. Em vez de olhar no espelho e ficar pensando no que eu preciso “consertar”, passei a elogiar mesmo as coisas que não gostava muito em mim. E adivinha, hoje eu gosto de (quase) tudo.

Outra coisa importante é aprender a receber elogio dos outros. Não se diminua respondendo a um elogio com uma crítica a si mesmo (eu fazia isso demais, com coisas do tipo: “nossa seu cabelo é lindo” e eu “er, brigada, mas é liso demais e sem volume”). Aprecie o elogio, aceite, acolha e agradeça. Não responda. Não é sinal de humildade se criticar, mas sinal de que você ainda não se ama o suficiente.

afirmações

Ainda vou fazer um cartão de visita com todos meus títulos. 😛

Mais uma coisa é manifestar aquilo que se quer, através de afirmações. Escreva para si mesmo como você quer ser visto, ou como você se vê, ou como os outros te vêem. Eu comecei esse processo de afirmações tomando para mim os “títulos” que outros me davam. Tem alguns engraçadíssimos, como “Rainha da Floresta”, que me foi dado por um ex-aluno, e “Xena de Contagem”, dado por um amigo (fala se não é o pior/melhor título que alguém pode ter). Coloco todos eles no espelho, sempre que recebo um. E tomo eles pra mim mesma.

Não tem como não se sentir poderosa.

Não tem como não se sentir poderosa.

4. Se exercite

No meu caso especificamente isso era fundamental, mas vale pra todo mundo. Seu corpo é seu templo nesse mundo, sua casa. Use-o, exercite-o, movimente-o, desafie-o. Não estou dizendo pra fazer matrícula na academia, mas faça um pequeno movimento diferente por dia. Dance, se alongue. Caminhe, corra, nade, aprenda a fazer algo com seu corpo que você nunca fez. Isso move tantas coisas guardadas, e nos dá outra dimensão de nós mesmos, nos expande. E faz com que nos amemos mais. Descubra o tipo de movimento, frequência e intensidade que é perfeito para você. É bom que seja um pouquinho fora da sua zona de conforto, mas não se empurre demais porque isso não é se amar. Essa história de “no pain, no gain” tem algo de cruel consigo mesmo. Não é sobre ganhar nem perder, é sobre pequenas superações de descobertas.

Eu tentei muitas coisas: musculação, aulas coletivas aeróbicas, natação (que eu amo, mas não serve pra mim como exercício diário e constante, entendi que ela fica no lugar de prazer e conforto), pedalar (idem natação), caminhar, correr, forró, funcional, até que achei o que me faz ficar exatamente entre o esforço e o conforto: yoga. Para você pode ser outra coisa. Experimente até achar aquilo que vai ser o que vai te mover mais constantemente e que vai te ajudar a evoluir. Depois de 4 meses de yoga constante, fico feliz e grata a mim mesma quando percebo o quanto é mais fácil fazer coisas com meu corpo que antes eram dolorosas e pareciam impossíveis.

5. Se perdoe

Outro ponto fundamental: as coisas vão dar errado. Você vai fazer algo que vai machucar alguém. Que vai ser diferente do que outra pessoa esperava. Vai fazer uma burrada aqui e ali. Vai ter preguiça. Vai ser maldoso sem querer. E tudo bem. Mesmo. Se perdoe por não atender às suas expectativas e às dos outros. Você não é perfeito e não precisa ser. Não é sobre ser indulgente consigo e não querer melhorar, mas sobre se aceitar, completamente com tudo que você tem de “bom” e “ruim”. Aliás, o melhor é parar de pensar em termos de bom e ruim, não se julgue. Se perdoe, e diga para si que da próxima vez vai agir diferente e pronto. Sem ressentimentos nem culpa. Culpa é um sentimento inútil e pesado. Peça desculpas a alguém, se o que você fez que não é legal foi com outra pessoa, e se perdoe mesmo que a outra pessoa não o faça. E faça diferente da próxima. Agir é melhor do que sentir que é melhor do que falar.

Quando comecei a colocar essas cinco coisas em prática, encontrei aceitação e amor próprio. E pasme, aquela história de que você tem que cuidar do jardim para as borboletas virem (outro cliché) também funciona. Não espere, aja. E não pense que não consegue, comece por uma coisa de cada vez. 🙂

Categorias: Seja Livre

1 Comentário

Humberto Lopes · 27 de abril de 2016 às 14:57

Excelente! Eu tava precisando ler isso…

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