Há alguns dias escrevi esse texto aqui sobre empresas que publicam vagas anonimamente, e logo depois tive um feedback de uma afilhada de casamento sobre ele. Ela é empresária e ficou incomodada com o tom do texto, e não foi sem razão. Eu esqueci completamente dos princípios de não-violência quando escrevi do texto. Lendo-o agora consigo perceber claramente que eu poderia ter me comunicado muito melhor se tivesse me lembrado de alguns princípios fundamentais quando queremos realmente nos comunicar com alguém.

1. Empatia

É o principal de todos. Ter empatia é se colocar nos sapatos do outro e fazer mais perguntas do que vir com respostas. Quando olhamos para uma situação e pensamos: “nossa, isso é tão óbvio, não é possível que o outro sujeito não enxerga isso”, estamos partindo de um ponto de vista muito pessoal. O que será que eu sei e vivi que me faz achar que isso é óbvio? O que será que o outro sabe e viveu para enxergar a situação diferentemente de mim? Se em vez de ter certezas tivéssemos mais perguntas, acredito que poderíamos ter mais conversas significativas em vez de embates de “eu acho assim/eu acho assado e meu jeito que é certo”.

2. Interação e interpretação do mundo

Como somos todos indivíduos únicos, temos diferentes histórias e referências que nos fazem interpretar nossas interações de mundo sempre de forma diferente. O que eu vivi na minha vida pessoal e profissional me faz pensar que não faz sentido publicar uma vaga anonimamente; mas claro que outra pessoa, com outros referenciais, pode pensar diferente de mim. E não significa que eu tenho que concordar com ela ou ela comigo, mas significa que eu preciso ter em mente que a minha interpretação de mundo não é igual à dela. E, dito isso, volta ao ponto 1, empatia: se eu me tivesse me colocado no lugar de quem anuncia uma vaga e feito perguntas, provavelmente teria construído o texto de uma forma completamente diferente.

3. Gatilhos

Muitas vezes um assunto super inocente pra gente pode ativar um gatilho para uma história ou situação que pode ser difícil para a outra pessoa. Não temos ideia do que pode ser, uma opinião sobre música, um comentário machista, uma piada de mau gosto… Lembrando: cada pessoa tem uma história e uma interpretação de mundo, e se partimos do pressuposto que “era só uma piada”, podemos estar sendo rudes ou até mesmo cruéis com alguma história ruim que a outra pessoa ainda não resolveu consigo mesma. Cada pessoa tem seu tempo e respeitar esse tempo faz parte de ser empático e não-violento na comunicação.

Eu ainda estou começando a trilhar esse caminho de transformar a forma como me comunico. Sei que às vezes posso ser enfática e até mesmo agressiva em um determinado ponto de vista, como fui no texto que mencionei. Cheguei até a pensar em tirá-lo do ar, mas acho importante lembrar do aprendizado que ele me trouxe, por isso o mantive. Ainda continuo achando que vagas anônimas não servem pra mim; mas aí é que está a grande diferença, não servem pra mim, podem servir pra outra pessoa. E hoje enxergo outro ponto de vista que essa amiga compatilhou comigo, das dificuldades que ela enfrenta, até de cunho pessoal, quando anuncia uma vaga contando o nome da empresa.

Para quem tiver mais interesse em Comunicação Não-Violenta: há grupos no facebook e excelentes textos sobre o assunto aqui.

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