Dez horas da manhã de uma quarta-feira cinzenta em Ko Phangan, golfo da Tailândia. Me chamo Ana Paulla, sou brasileira, 32 anos, e mesmo aqui nesse paraíso consegui a façanha de me estressar. Atualmente tenho cinco (isso mesmo, 5) empregos diferentes. Estou no momento coordenando meu segundo workshop de Tantra de seis dias, trabalhando na administração da escola de yoga que frequento, e também no marketing, e também sendo secretária do fundador da escola, temporariamente. Ah, e criando conteúdo para o UnCollege.

Acho que parece óbvio demais que eu não conseguiria dar conta disso tudo ao mesmo tempo. As duas coisas temporárias que estou fazendo (coordenação do workshop e secretariado) são as mais urgentes no momento, e todas as outras eu tento encaixar no tempo que me sobra, quando não estou dormindo ou comendo. Todos os outros três trabalhos são modelo “part time”, e antes estavam me tomando poucas horas por dia, e eu achei que conseguiria encaixar os outros dois temporários sem causar um estrago muito grande. Ledo engano.

Esse é meu padrão: dizer sim para quase todas as oportunidades que me aparecem. Tenho imensa dificuldade em dizer não para algo que eu acho que vai ser bom pra mim. E sou muito sortuda, porque as oportunidades aparecem. Eu peço, elas aparecem. Estou aqui na Tailândia desde setembro, cancelei minha passagem de volta pro Brasil que seria em dezembro, sem ter um tostão furado pra ficar. E precisava de trabalho que pudesse me sustentar aqui. Eu pedi, e eles apareceram, aos montes. Tanto que não consegui dizer não e agora me sinto culpada de não estar conseguindo fazer tudo que acredito que preciso, do jeito que preciso.

Esse era meu padrão antes de estar aqui. No Brasil minha vida inteira fui assim, quis abraçar o mundo com as pernas, e de tempos em tempos não tinha tempo de comer ou dormir direito. Eu já identifiquei esse padrão e venho trabalhando continuamente na minha capacidade de dizer não, de ficar em paz comigo mesma de fechar uma porta de alguma oportunidade. Vejo cavalos selados passando e tenho que me segurar pra não pular neles. Mas identificar o padrão não significa necessariamente ser capaz de resolvê-lo por completo. De repente me vejo enrolada na teia de coisas que me comprometi a fazer e que achei que dava conta. E de novo preciso me perdoar por ter caído na minha própria armadilha. Fazer uma anotação mental de como me sinto quando isso acontece, e torcer que eu seja capaz de identificar o padrão antes que ele esteja me dando tapas na cara.

Por que repetimos esses padrões, não importa onde estejamos ou o que estejamos fazendo? Porque precisamos aprender com eles. A cada vez que o padrão se repete ele nos mostra uma nova faceta, um novo aspecto que não tínhamos observado antes. A cada vez que o mesmo desafio se apresenta, ele está nos ensinando uma nova lição. Pode parecer que estamos andando em círculo, mas na verdade pode ser uma espiral: você pode estar evoluindo revisitando as mesmas situações. Então, não faça como eu, não fique bravo consigo mesmo. Tente enxergar o que há de novo nessa situação velha amiga e anote a lição para a próxima vez que ela aparecer. Porque, muito provavelmente, ela vai dar as caras de novo.

Quais são seus padrões? Como eles se repetem?

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