A copa acabou e parece que com ela foi-se a minha disciplina em manter posts semanais aqui no blog. Mas fazendo jus ao nome do próprio, cá estou eu de volta, Ainda que Tardia, depois de um dia merda um pouco difícil, de uma semana merda um pouco difícil, mas assim é a vida.

 

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”

João Guimarães Rosa


Fabi Soares vinha me xingando (com razão, beijo Fabi) que não estou priorizando o projeto, logo agora que nós, eu Jackie e Fabi, aparentemente nos juntamos de vez nesse propósito de viajar o mundo. Não estivemos paradas nesse meio tempo: encontramos e rediscutimos o Business Model Canvas e o Golden Circle do projeto, que sofreu leves mas importantes mudanças, e alinhamos nós três algumas expectativas em torno da viagem. Suscitamos mais perguntas do que respostas, mas é isso que move o mundo (pelo menos segundo aquela propaganda do canal Futura, né, gente). Fizemos um jantar aqui em casa com uns gringos amigos, Niall, Turner e Aidan, no qual, pelo menos em teoria, íamos falar sobre nosso projeto e pedir dicas pra eles que já viajam o mundo há muito tempo. Rimos, comemos e bebemos mais do que conversamos, mas tudo bem, como boa mineira sempre acho que um bom laço entre gentes vale mais do que um bom negócio.

Hoje especialmente se abateu sobre mim uma terrível doença chamada realidade, na pior de suas variáveis, aquela chamada números, em que as contas do mês começam a correr atrás em forma de telefonemas de números desconhecidos e inícios de chamadas mudos (aqueles que você fica igual a uma velha surda repetindo alô). Tomei umas bofetadas na cara em forma de carnês grossos de financiamento em 60 meses de carro (sem seguro) o qual tive a alegria #soquenao de esborrachar contra um veículo de outra pessoa há dois meses, fazendo o cenário todo ficar mais preocupante. Não tá fáceo, Guimarães.

Enfim, reuni todo meu mau humor de segunda-feira e fui trabalhar dolorida (depois de ter tido a infeliz ideia de pedalar ontem após três meses de puro sedentarismo, ao qual meu joelho fez o favor de me relembrar que não tenho mais 18 anos, obrigada, de nada). Choramingando minhas mágoas para meus queridos companheiros de trabalho, eles tiveram a gentileza de tentar me animar com coisas baratas (a.k.a a assinatura de Netflix que fiz último mês, tô ainda no mês grátis, uma beleza). Lenise e Vinicius (mais conhecidos por Lelê Regina e Vini Calijorge) disseram que o filme para meu dia seria Medianeras. Erraram, queridos. Medianeras é o filme pra minha vida.

Antes de começar a assistir estava meio culpada por motivos óbvios (se não estava tendo tempo nem energia pra colocar no projeto que tanto desejo realizar, ainda ia desperdiçar tempo vendo um filme?) mas era tudo que conseguia, me jogar na frente da TV e ver algo. Mas, assim como a janela proibida que é aberta na medianeira (aquela grande parede sem janelas que divide um prédio do terreno ao lado), esse filme abriu a janelinha da energia de escrever de novo. Pra contar isso, gente, isso aí. Que a vida, essa caixinha de surpresas, vai bater na sua cara com um carnê de 60 meses pra pagar, bem grosso, com umas duas atrasadas, te ligar e te deixar falando alô sozinho feito um doido, vai te dar a certeza, ao fazer as contas do mês, que você não vai conseguir realizar o seu sonho de viajar no ano que vem fazendo uma volta o mundo explorando a liberdade. Mas você pode abrir a janelinha na medianeira e olhar o mundo de outro ângulo. Vão te dizer que é errado, que louca você é que não fez um seguro de carro até hoje, vê-se-pode-uma-coisa dessas-meu-deus-do-céu, e você tá aí abrindo janela na medianeira.

Pra entender esse post psicodélico que escrevi meio rindo e meio chorando (sério), só vendo esse filme (ou tomando LSD, mas aí é com você, amigo, cada um dá conta do seu nível de ilegalidade, o meu foi ir ver filme em vez de cuidar do blog, o que funcionou, então vai saber).

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