Pode parecer contraditório o título, dado que já falei duas vezes sobre encontrar seu propósito (ou seja, olhar pro seu próprio umbigo) que agora eu esteja dizendo pra você olhar pra fora. Sim, caro amigo-leitor-irmão-de-fé-camarada: é super importante olhar pra dentro da gente e descobrir o verdadeiro propósito nos nossos projetos e negócios, mas igualmente importante é olhar pra fora e se perguntar: quem se importa?

Quem se importa com o que você pensa?

Quem se importa com o que você pensa?

 

Se seu objetivo for apenasmente satisfação pessoal, se seu projeto não precisa de público nem conexão nenhuma, já te conto que esse post não é pra você. Mas se o que você pretende for um negócio ou qualquer projeto que dependa de participação de outras pessoas, é bom depois de olhar pra si mesmo que você olhe em torno do seu lindo umbigo com piercing e veja quem mais pode se interessar pelo que você está fazendo.

Olhei em volta do meu umbigo, mãe, tinha desenhos. :D Crédito: worldofjulie.com

Olhei em volta do meu umbigo, mãe, tinha desenhos. 😀 Crédito: worldofjulie.com

 

Propósito é seu o ponto de partida, mas para angariar aliados é preciso pensar em pontos de conexão. Daquilo que você descobriu ser a razão da sua existência (ou da existência do seu negócio) pense quem pode se interessar por isso. Quem compraria o que você quer vender? Quem acredita no mesmo que você acredita? Se você não tem respostas prontas pra isso, não se desespere. Aliás, se desespere se você tiver: muito provavelmente você vai estar errado. Cansei de ver por aí na minha vida profissional várias empresas que diziam conhecer bem seu público: vende pra todo mundo, de classe A a D, entre 18 e 65 anos. Sabem de nada, inocentes. Mesmo a Coca-cola, talvez das poucas empresas que possam dizer algo do tipo e não estarem erradas, segmentam e tentam entender os diversos tipos de público que possuem: a mãe que compra coca 2 litros pra família, o adolescente que bebe coca com os amigos, etc, etc, etc. E a forma que ela se comunica com cada um desses públicos é diferente, é adequada pra cada um deles.

Não que seu propósito vá mudar de acordo com o público que você pretende atingir, não é isso. O propósito não muda, apenas a maneira de comunicá-lo. Em que você se conecta com as pessoas? Como seu propósito pode ser ponte de conexão para outras pessoas? Isso é o que pode te ajudar a começar a ter pistas sobre como falar com esse ilustre desconhecido: o público.

Mas então, como conhecer e entender essas pessoas? A boa e velha pesquisa, agora repaginada, turbinada, 2.0 e com silicone. A interwebz, essa linda, deu oportunidade da gente, eu e você, você e eu, nós quatro, falarmos com um monte de gente. E é relativamente simples: nós perguntamos, eles respondem. Existem várias ferramentas pra facilitar fazermos várias perguntas de uma vez sem ficar chato pra quem está respondendo, além de ficar mais fácil pra gente não só obter como também tratar esses dados e respostas.

 

O mais simples (e de graça): formulário no Google Drive (antigo Google docs)

É gratuito, vai lá na sua conta do Google e cria um novo documento do tipo “form”. Isso é um formulário, você cria questões e opções de resposta, que podem ser de respostas únicas ou múltiplas, ou de texto, ou várias outras. Mas não se empolgue e faça um questionário de censo do IBGE: você não precisa saber tudo, somente o necessário. Pra eu entender como meu propósito se conectava com o meu público, por exemplo, fiz uma pequena pesquisa:

1. Perguntas sobre perfil (eu queria saber gênero, idade e local de residência)

2. Perguntas sobre possíveis sonhos ou projetos

3. Perguntas sobre a rotina (basicamente eu queria saber se as pessoas achavam que tinham tempo livre pra colocar esses sonhos em prática, mas eu escolhi não perguntar tão diretamente)

4. Perguntas sobre felicidade e liberdade (essas simples de sim/não e porquê, para obter insghts do público a partir das respostas)

 

Olha a pesquisinha do Ainda que Tardia.

Olha a pesquisinha do Ainda que Tardia.

O próprio Google cria uma planilha que é alimentada automaticamente pela resposta das pessoas, que você vai usar pra começar a entender essa galerinha da pesada que apronta todas. Você vai lá e quebra sua cabeça com algumas fórmulas do capeta super simples e tabula os dados e gera relatórios e gráficos bonitinhos como esses aqui:

Pizza. Quem não ama gráficos em pizza?

Pizza. Quem não ama gráficos em pizza?

 

Multo provavelmente seu questionário e as respostas obtidas podem não ter relevância estatística (eu, por exemplo, consegui 41 respostas pra minha pesquisa, sendo que o melhor dia de visitas do blog até agora foram pouco mais de 200 pessoas), mas já traz algumas pistas interessantes sobre as pessoas que estão dispostas a ler esses posts enormes, cheios de figura e piadas sem-graça que eu faço às 10 da noite.

 

Ferramentas pagas

Mas se isso for muito amador pra você, ainda tem jeitos mais profissionais e ainda bem baratos pra fazer. O Opinion Box, por exemplo, é um lugar onde você também pode criar seu questionário (ou ainda escolher de algum dos vários modelos que eles criaram) e, em vez de ser você o responsável por divulgar e conseguir respondentes para sua pesquisa, a própria ferramenta tem uma base de mais de 100 mil usuários brasileiros. Segmentados dos mais variados jeitos, você define o público e a quantidade de respostas necessárias para sua acuidade (da conta que você nerd fez pra descobrir qual o n necessário de respostas e definiu o intervalo de confiança) e a ferramenta se encarrega de conseguir as respostas das pessoas corretas. As respostas podem custar a partir de R$4,00 por questionário respondido, o que viabiliza até pra sua startup de fundo de quintal ter uma pesquisa bem bacana de público. E se precisar de ajuda pra qualquer uma das coisas, a ferramenta foi criada por um conceituado time de um instituto de pesquisa das antigas e a galera pode te auxiliar com possíveis dúvidas.

 

Cadastra lá no Opinion Box e testa, é bem bacana.

Cadastra lá no Opinion Box e testa, é bem bacana.

 

Pronto, fiz minha pesquisa, tabulei, agora já seu tudo sobre meu público, certo? Errado. Isso é só o primeiro passo, meu pequeno padawan. Aí voltamos pra outros exercícios igualmente importantes: personificar o público e se colocar em seu lugar.

 

Personas

Persona é um personagem que representa seu (ou seus diferentes segmentos de) público. Ele tem características relacionadas a perfil, comportamento e necessidades. Esses três pilares precisam ser respondidos para descrevermos bem uma persona. E criamos um personagem, com nome, idade, descrição desses três pilares em pequenos textos que ajudam a gente a validar nossas ideias com esses personagens toda vez que precisarmos.

 

Um exemplo de construção de persona: nome, foto, características, perfil, comportamento e necessidades. Crédito: http://www.npengage.com/

Um exemplo de construção de persona: nome, foto, características, perfil, comportamento e necessidades. Crédito: npengage.com

 

Mapa da empatia

Uma vez desenhadas personas para cada um dos segmentos dos seus públicos, é hora de se colocar no lugar deles. Isso é um exercício de empatia, e existe um mapa que pode te ajudar a calçar os sapatos dessas pessoas e ver onde dói. No próprio Mural Ly, que já citei por aqui, existe um modelinho desse pra você encher de post-its de novo. Nele você mapeia o que seu público vê, ouve, sente e pensa, diz e faz e quais suas dores e necessidades. Essas duas ferramentas, construção de personas e mapa da empatia, muitas vezes interferem uma na outra, e não há nada de mal em construir as duas juntas e ir completando aos poucos uma e outra. Elas se complementam, assim como o Golden Circle e o Business Model Canvas.

 

Mapa da empatia do Ainda que Tardia.

Mapa da empatia do Ainda que Tardia.

 

Depois desses exercícios todos, certamente você será mais capaz de entender o que as pessoas esperam e como seu propósito pode se conectar a elas: como seu negócio ajuda essas pessoas? Em que ele resolve um problema? Ele alivia uma dor? Ele contribui com as preocupações dessas pessoas? Assim você terá pistas melhores de como se comunicar e como se conectar a mais gente que pode ajudar a tirar seu sonho do papel. 😉


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